Sofrimento ético

R$27,00

Reflexões a partir de Crime e Castigo, de Dostoievski

Livreto + 1 DVD

Conferência proferida em São Paulo em 20 de setembro de 2008 Esta conferência foi realizada em evento do Departamento de Psicanálise do Sedes Sapientiae,  São Paulo, nos dias 19 e 20 de setembro de 2008, sob o título geral Orestéia Justiça Cega - Na mesa estavam o  Prof. Medina, titular de letras clássicas da USP,  o Prof. Gilberto Safra e Pascoal da Conceição, ator pela EAD e pela USP. Coordenadora: Profa. Maria Luiza Persicano Trecho inicial da conferência do Prof. Gilberto Safra A apresentação de ontem foi um texto interessante, mostrando como um questionamento surge na trajetória dos psicanalistas a respeito da Orestéia. Há algo de trágico na própria apresentação, pois o fato de este evento estar acontecendo expressa um questionamento, um impacto diante de nós e reconhecemos que a pergunta pré existe e demanda uma reflexão e diálogo para que nos perguntemos: o que é isso, o retorno das iríneas?  

A Orestéia, no teatro, mostra a passagem do delito que demanda vingança para o delito que pode ser julgado por um estado de direito e seus cidadãos. Na atualidade, temos a presença da violência de crimes de diferentes tipos e observamos também a questão da justiça que muitas vezes é violenta, embora se pretenda justa.
Em relação a estas questões que muito me interessam estou ocupado estudando o que se passa com a subjetividade contemporânea, como ela acontece e se organiza. No meu horizonte, a subjetividade humana é afetada profundamente pelos acontecimentos históricos e cabe a nós, psicanalistas, estar voltando às séries complementares de Freud para reconhecer as constituição  da subjetividade na interioridade mas também nos acontecimentos do mundo.
Um autor que me ajuda nestas questões é Dostoievski. Continuamente estou voltando a ele, tentando aprender um pouco de psicanálise com ele. E achei que seria interessante para discutir a questão da volta das iríneas rever Crime e Castigo. Este livro, surpreendente, habitualmente é tomado como um relato de um crime. Um personagem o realiza e é um romance interessante pois já se sabe durante todo tempo quem é o culpado. Não precisamos ir atrás dos indícios, mas eles nos são apresentados claramente. O grande foco do livro é esta situação dramática que ocorre na vida e na interioridade do personagem principal. Ele é apresentado como quem realiza o assassinato quase sem sentido. Considero que este personagem é cada um de nós, o protótipo do homem moderno. Este livro não discute apenas a questão da culpa, mas coloca em questão o próprio modo como a vida humana acontece no campo da modernidade.
Há dois eventos fundamentais no romance, pela importância sócio-política e clínica. O personagem é apresentado como estudante de direito, voltado ao estudo das leis e da justiça. Mas a vida dele é conturbada, ele é pobre, a família está realizando grandes esforços para que ele possa estudar direito. Mas a situação se torna insustentável pelas dificuldades econômicas. Ele é um homem que representa o pensamento moderno. Acredita que a ação humana pode ser a medida de todas as coisas, acredita que alguns seres humanos poderiam estar acima da lei. Nesse primeiro momento a lei é concebida como elemento externo. O personagem escreve artigos sobre a questão da lei. Os ordinários devem obedecer à lei e os extraordinários podem abrir  a possibilidade de grandes acontecimentos históricos. Ele justifica sua posição com grandes personagens da historia, verdadeiros super-homens, moldados no humanismo moderno, que podem realizar qualquer coisa, inclusive matar.                                                

COD: 4761
Categoria: Artes e Literatura na Formação clínica
Autor: Gilberto SafraEditora: Sobornost
Tipo: DVD 

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