Tarefas originárias do ser humano

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Descrição fenomenológica das necessidades do Homem

Livreto + 1 CD-MP3

Aula ministrada em 26 de março de 2008 

Gravação em áudio MP3
O que Gilberto Safra nos oferece nesta aula é uma descrição do que alguns autores chamam de desenvolvimento a partir de uma perspectiva fenomenológica.

Trecho inicial da aula: Numa primeira etapa, como tarefa, o bebê humano tem necessidade de poder dar certo entorno ao excesso de estímulos que se originam de fora de si e da interioridade do seu corpo. Para isso precisa necessariamente de um adulto que o acompanhe.

Uma criança ainda não dispõe de maturidade neurológica, organização psíquica e mental que lhe garanta a  possibilidade de organizar, direcionar, significar o excesso de estimulação a qual está submetida. Por isso criança precisa de humanos adultos em seu meio ambiente, que organizem esse meio para ela e possam mediar essa estimulação excessiva, para ser possível encontrar certa organização e desenvolver estratégias psíquicas e mentais que possa usar depois ao longo de sua vida.

Bombardeada de estímulos, a criancinha vive experiências que são avassaladoras.  O ser humano tem a necessidade de outorgar finitude às experiências que vive. Desde os primeiros meses de vida, toda experiência  que perde o caráter de finitude, que é vivida como sem contorno, sem espaço e sem tempo,  joga o bebê numa experiência de loucura.

Organizar a experiência em termos finitos, em termos temporais e espaciais, torna-se uma necessidade fundamental do ser humano para ele não ser posto em experiência  de dispersão de si, que o joga para a perda de si mesmo. Toda experiência  sem contorno, sem tempo e sem espaço, ameaça o ser humano com a vivência  de enlouquecimento.

Este fenômeno está presente desde o início da vida e no nosso cotidiano. Tente uma introspecção:  verá que em qualquer vivência precisamos dar contorno, nomear a experiência , dar posição, significação para poder suportá-la.

Perceba com que freqüência  aparecem na linguagem do cotidiano, metáforas que o ser humano faz sobre si, em termos de ser continente. Hoje estou pelas tampas.... dizemos, projetando nesta fala uma imagem si como vasilha, onde cabe uma quantidade limitada de experiências. Depois de determinado ponto, a pessoa avisa que pode transbordar, ou seja, risco à vista.

Falar de si como esse continente com limite para guardar algo na memória, é uma aquisição, ofertada pela interação da criança com o meio. É o fato dessa criança ser cuidada, o modo como pai e mãe seguram o corpo da criança, como mantém ela com suporte frente à gravidade, o fato de a ajudarem  a lidar com a fome, a sede, a luminosidade, tudo isso vai criando a possibilidade do ser humano ser uma válvula capaz de por limite aos estímulos que chegam. Nessa etapa precoce temos que encontrar este entorno que nos permite uma experiência de continuidade de si.

Quando isso falha, temos as experiências de enlouquecimento,  de infinito, do corpo se fragmentando no espaço, perdendo a continuidade de si. Essa vivencia é encontrada na literatura sob o nome de ansiedade de aniquilação. Este é o ponto focal das esquizofrenias e psicoses que se relacionam com dispersão de si, perda de corporeidade, perda de si como continuidade.

Essa membrana, mecanismo regulador do excesso de estímulos, será chamada na  linguagem psicanalítica, de recalque primário. Outros autores a chamam de barreira de contato.

Se nós, neste momento aqui, estivéssemos conscientes de todos os estímulos que nos chegam, não teríamos condições de conversar! Estaríamos perdidos no mundo de estimulação excessiva. Para conversar  é preciso focar, criar um movimento psíquico que percorre cadeias lingüísticas e simbólicas. Só posso acompanhar o pensamento porque existe barreira de contato que me protege do excesso de estímulos internos e externos.

As crianças hiperativas têm dificuldade neste aspecto e são estimuladas e movidas por essa estimulação que as impede de se deterem. Não conseguem brincar, se derramam de um brinquedo para outro, não conseguem organizar o excesso de estímulos e focar sua atenção e ação numa certa direção.    

COD: 3374
Categoria: A clínica contemporânea: origens, escolas, conceitos, antropologias, principais clínicos
Autor: Gilberto SafraEditora: Sobornost
Tipo: CD-MP3-Duplo 

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