Trajetória de Dostoievski, A

R$27,00

Da questão social ao ethos humano

Livreto + 1 CD-MP3

Aula ministrada em 11 de junho de 2008

Gravação em áudio MP3

Trecho inicial da aula Na sua vida de escritor, no início, Dostoievski foi bastante reconhecido por seu livro" Pobre Gente", em que abordava de uma maneira intensa as questões sociais que a Rússia vivia no século 19. Por isso era aclamado por um grupo. A vida intelectual da Rússia estava dividida em dois grandes movimentos: os eslavofílicos, que acreditavam que era importante manter a especificidade da cultura russa, e a Inteligência, grupo que advogava que seria necessári,o para reforma da Rússia, que ela se abrisse para o que se passava na Europa do ponto de vista  cultural. Esta ruptura na vida cultural russa surge em decorrência do reinado de Pedro o Grande, que considerou que a Rússia era muito atrasada e achou que seria importante esta se atualizar, ser mais civilizada. Para isso implementou várias reformas. Por decreto tornou ilegal usar barba. Porém a Rússia era ortodoxa e no cristianismo ortodoxo a barba era elemento importante. Pedro também fundou São Petersburgo, onde muitas pessoas morreram para que se construísse a cidade dos seus sonhos, abrindo um porto no norte para a Europa. Ele queria trazer o pensamento europeu para a Rússia, o que provocava a fratura na cultura russa, entre os eslavofílicos e a Inteligência.
O eslavofilicos tinham o sonho da Rússia ser a salvação da civilização em decorrência do cristianismo ortodoxo, porque se considerava que Moscou seria a terceira Roma, de onde partiria a salvação da humanidade. Se achava que a Rússia tinha algo importante para toda a humanidade.
A Inteligência criticava a vida social, a ruptura em termos de classe: aristocracia e mujiques. Estes trabalhavam na zona rural e havia este fosso entre estas duas classes. Os mujiques eram inclusive como servos, pois se compravam pessoas.
Dostoievski começou a escrever a partir da indignação do que se passava com as pessoas pobres, foi aclamado e reconhecido, participava de reuniões subversivas na Rússia czarista, contra o Czar.
Numa das reuniões vários membros deste grupo foram presos e condenados à morte.  Dostoievski estava entre eles e foi mandado para Sibéria,  onde seria fuzilado. A Sibéria foi um momento de grande sofrimento para este autor, de grande solidão: ele viveu na Sibéria a exclusão da vida cultural e social. Sentia que estava prestes a sofrer uma experiência em que seu espírito morreria. Torna-se fundamental para ele ter algum texto para ler, para manter seu espírito vivo. Escreveu Memória da casa dos mortos para relatar a vida na Sibéria. De lá escreve para seu irmão pedindo que enviasse literatura, qualquer coisa para ler mas o irmão não lhe manda nada. Fica na privação e, certo dia, uma camponesa, na Sibéria, vendo os prisioneiros passarem, olhou para Dostoievski e retirou do bolso o Evangelho. Ele leu, pois foi só isso o que tinha pra ler. A experiência é que esta ação da camponesa teria salvo o seu espírito. Vai ser fuzilado. É posto no paredão... e neste momento chega a carta do Czar, ordenando que não o fuzilassem. Na alma ficou o fato de que se viu frente à morte, ao pelotão de fuzilamento. Tudo isso o transformou, sofreu horrivelmente.
Dostoievski sempre foi vigiado, mesmo na liberdade. E iniciou uma escrita que não se orienta mais pela vida social na Rússia, mas passa a se preocupar com a condição humana, com o ethos humano, que é mais fundante que a questão social. 

COD: 4278
Categoria: Artes e Literatura na Formação clínica
Tags: Fiódor Dostoiévski
Autor: Gilberto SafraEditora: Sobornost
Tipo: CD-MP3 

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